26/04/2025 às 12h17
Vitoria Inacia
Macapa / AP
Nesta semana, a Polícia Civil do Estado do Amapá, por intermédio da Delegacia Especializada de Repressão a Fraude Eletrônica (DRFE) e com o suporte operacional da Companhia de Ações Especiais da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CAEP Sudeste - PMSP), deflagrou a operação intitulada “Pagea Flavea”, cujo propósito foi o cumprimento de três mandados de prisão em desfavor de indivíduos investigados por envolvimento nos crimes de lavagem de capitais, fraude eletrônica e associação criminosa. Durante a execução da diligência, uma mulher, de 44 anos, foi capturada na cidade de São Paulo.
De acordo com o Delegado Anderson Silwan, titular da DRFE, as investigações foram iniciadas no final do ano de 2023, a partir da denúncia de uma vítima que relatou ter sido abordada por uma empresa que se apresentava como atuante no ramo de marketing e que teria oferecido, supostamente, serviços publicitários gratuitos — proposta que foi inicialmente aceita pela vítima.
"Posteriormente", declarou o delegado, "essa pessoa foi contatada por uma entidade que se identificava como um Cartório de Protestos do estado de São Paulo, a qual exigia o pagamento de R$ 7.000,00 pelos serviços prestados. Embora inicialmente informada de que os serviços seriam gratuitos, a vítima, induzida ao erro, efetuou o pagamento".
As apurações revelaram a inexistência de qualquer protesto nos registros do cartório em questão, desmascarando, assim, a prática fraudulenta. Com o aprofundamento das investigações, foi identificada a atuação de um grupo criminoso com abrangência nacional, cuja origem remonta ao ano de 2007. A organização é responsável por centenas de ocorrências com o mesmo modus operandi em todo o território brasileiro.
Inicialmente, os golpes eram aplicados por meio do chamado “golpe da lista telefônica”, em que se ofereciam falsos serviços de publicidade empresarial vinculados a listas telefônicas impressas. Com o advento da digitalização e o consequente declínio das listas físicas, o grupo criminoso adaptou sua metodologia, passando a oferecer serviços publicitários digitais sob o mesmo engodo da gratuidade, mantendo a mesma estrutura fraudulenta.
Com o avanço das investigações, o Poder Judiciário deferiu os pedidos de prisão preventiva dos investigados, bem como determinou o bloqueio de ativos financeiros pertencentes ao grupo, totalizando aproximadamente R$ 700 mil.
A denominação “Pagea Flavea”, que em latim remete à expressão “Páginas Amarelas”, faz alusão direta à gênese do esquema fraudulento, originalmente ancorado na exploração do antigo formato de listas telefônicas comerciais.
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